Marcha desde PUXIRUM hasta Gasometro en solidaridad con la lucha de los pueblos indígenas de Brasil

Porto Alegre, 30 enero 05
Desde las 10h00 500 delegados de los pueblos indígenas, marcharon desde Puxirum a Gasometro para hacer escuchar su voz por la lucha que llevaron adelante los hermanos de Brasil, acompañaron todas las delegaciones de los pueblos indígenas presentes en Puxirum, la delagción ecuatoriana de ECUARUNARI acompaño en esta macha de solidaridad.

A continuación reenvio la información

Patricio Zhingri T.


Puxirum faz caminhada pelos direitos indígenas

Os indígenas realizaram na manhã de hoje, 30, uma caminhada que saiu da tenda do Puxirum, percorreu as demais tendas do território social mundial e chegou à Usina do Gasômetro. A marcha foi organizada pelos indígenas brasileiros e teve a adesão dos povos dos outros países.

Levando cartazes e faixas, os indígenas cantaram e gritaram palavras de ordem. O objetivo da marcha era chamar a atenção para a ameaça aos direitos dos povos indígenas. Neste Fórum Social Mundial, os indígenas brasileiros já haviam divulgado uma carta denúncia, expondo o descaso com que o governo federal tem tratado as questões relacionadas aos indígenas, principalmente no que se refere à demarcação e garantia de suas terras.

Na caminhada de hoje, os indígenas divulgaram um manifesto, no qual são relacionadas nove propostas para que ocorra uma efetiva mudança na política indigenista brasileira. O manifesto foi distribuído durante a caminhada aos participantes do FSM e à imprensa que realiza a cobertura do evento.

Veja abaixo o manifesto.

Manifesto indígena

Nós povos indígenas do Brasil participantes do V Fórum Social Mundial (26 a 31/01/05), em Porto Alegre/RS, já manifestamos neste Fórum a nossa insatisfação com a discriminação, a omissão, o descaso e a morosidade do governo federal em solucionar os graves problemas que enfrentamos em relação a demarcação e garantia de nossas terras, com a violência praticada contra nos comunidades e lideranças, e sobre os riscos de um retrocesso quanto aos nossos direitos. Através de uma Carta Denúncia afirmamos que em nome de um desenvolvimento excludente e depredador os latifundiários, arrozeiros, mineradores, madeireiros, peixeiros, monocultores de soja e eucalipto, e os investidores do mercado imobiliário continuam avançando sobre nossas terras. Razões de segurança nacional são alegadas para reduzi-las e ocupá-las militarmente. Tribunais expedem decisões que nos impedem de viver em nossos territórios já demarcados.

Diante dessa realidade propomos:

1. Agilidade no procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas acabando com a morosidade na apresentação dos relatórios de identificação de nossas terras e com a negociação dos limites com os invasores nas fases de delimitação e homologação.

2. A criação de condições para que a proteção de nossas terras possa se dar na prática evitando que os agressores do meio ambiente (latifundiários, monocultores, madeireiras, garimpeiros, mineradoras e hidrelétricas) as ocupem ou destruam as cabeceiras, poluam os rios e devastem a mata e cerrado no entorno, através de uma fiscalização presente e rigorosa.

3. A anulação e a reparação de danos de projetos governamentais que não tenham o nosso consentimento livre. A imposição de projetos a comunidades indígenas tem levados impactos irreversíveis e são viciados de inconstitucionalidade. Em nome do desenvolvimento econômico vêm sendo imposta a implantação de hidrelétricas, hidrovias e transposições de rios que afetam as comunidades indígenas.

4. A homologação imediata da T.I. Raposa Serra do Sol, em Roraima, de acordo com a Portaria 820/98 – MJ, para acabar com a violência praticada contra os povos Macuxi, Wapixana, Ingaricó, Taurepang e Patamona e para desestimular os setores anti indígenas em todo país que pensam que nossas terras podem ser negociadas de acordo com os seus interesses.

5. A apuração devida e punição dos responsáveis pelos crimes praticados contra nossas comunidades e lideranças.

6. A criação de uma Secretaria com status de Ministério, diretamente ligada a Presidência da República com atribuições a serem definidas pelo movimento indígena, implicando a reformulação do órgão indigenista oficial, com nossa ampla participação.

7. A criação de uma instância interministerial, Conselho Nacional de Política indigenista, com nossa participação paritária, que formule o planejamento, acompanhe a execução e proceda a avaliação das políticas públicas do Estado voltadas para os povos indígenas.

8. A manifestação pública do governo federal, como responsável pela proteção de todos os bens indígenas, contra a aprovação pelo Congresso do PL 188, que pretende fazer retroceder todos os procedimentos demarcatórios ainda não concluídos a fase inicial para que os limites das nossas terras possam ser negociados em função dos interesses econômicos e políticos representados no Senado Federal.

9. A aplicação da Convenção 169 da OIT com todo o seu significado garantindo a participação dos nossos povos em todas as questões de âmbito legislativo e administrativo que nos afetem de alguma maneira.

Contamos com o apoio dos participantes do V Fórum Social Mundial e de toda a sociedade para que possamos garantir nossa existência atual e futura, enquanto povos, com direitos coletivos e sujeitos de seus destinos.

Porto Alegre, 30 de janeiro de 2005.